Luiza Pinta (Mãe Pinta)
Biografia
Luiza Pinta nasceu no século XVIII, provavelmente na região da Bahia, em um contexto profundamente marcado pela escravidão e pela repressão às práticas religiosas africanas. Mulher negra, provavelmente nascida em solo brasileiro, era herdeira direta dos saberes africanos trazidos pelos primeiros povos escravizados.
Foi reconhecida como curandeira, rezadeira e mulher de axé — uma autoridade espiritual em seu tempo. Pouco se sabe sobre sua infância ou formação, mas os relatos orais e registros históricos apontam que Luiza Pinta era respeitada por suas práticas de cura, uso de ervas e cantos sagrados, além de sua ligação com os calundus — rituais afro-brasileiros de cura, espiritualidade e resistência.
Esses rituais eram vistos com suspeita pelas autoridades coloniais e pela Igreja, o que levou Luiza a ser perseguida. Apesar da repressão, ela manteve sua fé e sua missão. Era procurada por negros escravizados, libertos e até brancos pobres, em busca de cura e conselhos espirituais. Seu conhecimento das folhas, rezas e cânticos era passado oralmente, e ela formou uma rede de aprendizes e seguidores que mantinham viva a tradição dos ancestrais.
Luiza Pinta também se envolveu em práticas que hoje seriam consideradas ações de resistência cultural. Ao manter os rituais e a memória africana vivas, mesmo sob risco de punição, ela preservava identidades e sustentava a fé de sua comunidade em tempos de opressão.
Não se sabe exatamente quando ou como ela morreu, mas seu nome atravessou o tempo. É lembrada como símbolo de espiritualidade negra, da força feminina e da sabedoria ancestral. Em cada terreiro, em cada folha macerada com fé, vive um fragmento do legado de Luiza Pinta.