Francisco José do Nascimento (Dragão do Mar)
📘 Biografia –
Dragão do Mar Francisco José do Nascimento nasceu em 15 de abril de 1839, na vila de Canoa Quebrada, no Ceará. Era homem do mar, filho de pescadores, negro, livre e de origem humilde. Desde cedo, seu corpo e sua vida se moldaram ao ritmo das marés, dos ventos e das cordas de embarcação. A vida no litoral era dura, mas era também território de liberdade relativa, longe dos engenhos e das senzalas.
Cresceu entre jangadas, velas e histórias de pescadores. Ainda jovem, se tornou prático de porto, responsável por conduzir embarcações até os navios maiores ancorados em alto-mar. Era uma função de prestígio entre os homens do mar, exigia técnica, liderança e coragem.
Com sua pele escura, olhar firme e fala direta, Francisco se destacava tanto pela habilidade quanto pela consciência social. Em uma época em que o tráfico interno de pessoas escravizadas era comum, ele começou a questionar abertamente o sistema.
Em 1881, ganhou o apelido de “Dragão do Mar” por liderar um movimento ousado: recusou-se a transportar pessoas escravizadas do porto de Fortaleza para os navios negreiros que seguiriam para o sul do Brasil. Seu gesto simbólico se espalhou como pólvora pela cidade e pelo país.
Francisco não era letrado, nem fazia parte da elite política abolicionista, mas seu ato arrastou com ele uma categoria inteira: os jangadeiros se levantaram e interromperam o funcionamento do porto. Aquilo era mais do que uma greve – era um levante. Seu nome cruzou fronteiras e inspirou outros focos de resistência.
O Ceará se tornaria, em 1884, a primeira província brasileira a abolir oficialmente a escravidão – quatro anos antes da Lei Áurea. Apesar de sua importância, o reconhecimento institucional viria tarde. Francisco José do Nascimento terminou seus dias em relativa pobreza, mas cercado por respeito e memória viva entre seu povo.
Morreu em 1914. Hoje é símbolo de coragem popular, da força do litoral nordestino e da abolição feita por braços comuns e vozes firmes.