Luís Gonzaga Pinto da Gama
📘 Biografia Luís Gonzaga Pinto da Gama nasceu em 21 de junho de 1830, em Salvador, Bahia. Filho de Luísa Mahin, uma mulher negra livre, de origem africana, conhecida por sua atuação política nas revoltas escravas e seu envolvimento com a Revolta dos Malês.
O pai, um fidalgo português, o abandonou ainda criança. A vida de Luís Gama começou marcada por um contraste brutal: nasceu livre, mas aos 10 anos foi vendido como escravizado pelo próprio pai, numa ação ilegal. Letrado por autodidatismo e por ter servido como ajudante de um advogado, Luís Gama passou a estudar Direito informalmente, já que as leis da época proibiam que pessoas negras frequentassem as faculdades.
Mesmo sem diploma, tornou-se rábula – advogado autodidata – e, com base nas leis existentes, libertou mais de 500 pessoas da escravidão de forma gratuita. Além da prática jurídica, foi poeta, jornalista e um dos primeiros intelectuais negros do Brasil a se assumir como tal. Usava o sarcasmo e a ironia como armas contra o racismo, escrevendo para jornais abolicionistas e satirizando os defensores da escravidão.
Seus versos misturavam denúncia e lirismo, como em seu livro “Primeiras Trovas Burlescas de Getulino”. Luís Gama também se envolveu na política, apoiando movimentos republicanos e antiescravistas. Era defensor da justiça popular, da liberdade plena e do respeito à dignidade humana, atuando em causas que envolviam pessoas pobres, negras e injustiçadas.
Morreu em 1882, sem ver a abolição da escravatura, mas deixou um legado que ressoa até hoje: de inteligência afiada, coragem moral e escrita combativa. Seu nome foi apagado da historiografia oficial por muito tempo, mas foi reerguido pelo movimento negro brasileiro, que o reconhece como patrono da abolição.
Em 2015, mais de um século após sua morte, foi oficialmente reconhecido como advogado pela OAB, em um gesto simbólico de reparação histórica.