Dom Obá II d’África
📘 Biografia
Dom Obá II d’África nasceu como Cândido da Fonseca Galvão, por volta de 1845, na Bahia. Era descendente direto de africanos da etnia iorubá, filho de um guerreiro do antigo reino de Oyó, o que lhe conferia um senso profundo de identidade ancestral. Cresceu num Brasil ainda marcado pela escravidão, mas desde cedo demonstrou altivez, inteligência e uma profunda consciência de sua herança africana.
Na juventude, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se destacou como orador, militar e figura pública. Alistou-se como voluntário na Guerra do Paraguai, servindo com bravura e recebendo reconhecimento do exército imperial. Sua postura destemida, combinada com um porte altivo e domínio da retórica, chamou a atenção da elite carioca — e também da monarquia.
Após a guerra, passou a circular nos espaços políticos da capital imperial, usando sua voz para denunciar o racismo e defender os direitos da população negra. Era figura constante nas audiências públicas do Senado, onde intervinha com argumentos vigorosos, exigindo justiça e respeito. Isso lhe rendeu o apelido de “Príncipe do Povo”, mas ele próprio preferia o título ancestral: Dom Obá II d’África.
Vestia-se com elegância e ostentava seu nome como símbolo de dignidade africana. Recusava-se a ser tratado com condescendência e exigia ser ouvido como igual. Suas ações não passavam despercebidas: era saudado nas ruas, temido por políticos e adorado pelo povo. Usava a ironia como arma, mas nunca a bajulação. Era um nobre sem trono, mas com autoridade.
Morreu em 1890, pouco depois da Proclamação da República. Como tantos outros líderes negros do século XIX, foi apagado dos livros de história. Mas sua memória ressurge como a de um símbolo de negritude altiva, de resistência verbal, e de presença africana viva no coração do poder.