André Rebouças
André Pinto Rebouças nasceu em 1838 na cidade do Rio de Janeiro, em uma família de prestígio e de origem africana. Era filho de Antônio Pereira Rebouças, um advogado baiano negro que conquistou espaço político e intelectual no Império, e de Carolina Pinto Rebouças. Desde jovem, André cresceu cercado de livros, debates e sonhos de justiça social — um luxo raro para homens negros naquele período.
Teve acesso a uma formação acadêmica privilegiada. Estudou no Colégio Pedro II e formou-se engenheiro militar na Escola Central do Exército, tornando-se um dos primeiros engenheiros negros do Brasil. Ainda jovem, destacou-se por sua inteligência técnica, domínio de idiomas e curiosidade intelectual. Foi um dos responsáveis por obras de infraestrutura como os sistemas de abastecimento de água no Rio de Janeiro.
Mas sua trajetória foi além da engenharia. Rebouças era um pensador completo: lia filosofia, escrevia sobre política e mantinha correspondência com intelectuais da época. Tornou-se amigo próximo da família imperial — especialmente de Dom Pedro II — e circulava nos salões mais sofisticados do Império. No entanto, nunca perdeu a consciência de sua negritude e da condição injusta em que vivia a maioria do povo negro.
Foi um dos primeiros e mais ativos defensores da abolição imediata e sem indenização. Fundou, junto com Joaquim Nabuco e outros, a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, e escreveu artigos, cartas e ensaios denunciando a violência do sistema escravista. Sua atuação era elegante, mas firme. Sua escrita era racional, mas profundamente sensível.
Após a Proclamação da República, foi perseguido por suas ligações com a monarquia e acabou exilado. Viveu seus últimos anos com dificuldades, entre Lisboa, Luanda e Funchal (Madeira), onde morreu em 1898. Morreu longe do Brasil que ajudou a construir — e do qual foi apagado injustamente.
Hoje, André Rebouças é lembrado como símbolo da inteligência negra brasileira, da luta antirracista feita com ciência, razão e amor à pátria. Seu nome ecoa como ponte entre técnica e consciência, entre o engenheiro que constrói e o cidadão que liberta.